A despedida

 

Neste último dia, em que a saudade se abeirou de nós logo pela manhã, observamos mais um conjunto de aulas, tanto «tradicionais», como «futuristas». Contudo, vou falar mais de aspetos que me chamaram a atenção na organização e dinâmica da escola.

Recordar que a escola onde fiz Job Shadowing é uma Secundária, que no sistema francês é apelidado de Lycée. Os alunos que a frequentam têm entre 15 e 18 anos, sendo no caso do Lycée Polyvalent Audouin-Dubreil cerca de mil. O liceu oferece uma via geral e tecnológica e outra via profissional.

Realço, em primeiro lugar, o facto de as aulas iniciarem às 8h e terminarem às 17h35, com intervalos de 5 minutos e um de 15 minutos, tanto de manhã como de tarde. Fazendo com que a carga seja elevada, mas habitualmente o trabalho é quase todo realizado na escola, e à quarta-feira de tarde não há aulas. A escola apresentou-se-nos sempre limpa, quer no exterior, onde andei literalmente em busca de lixo, quer nas salas. O espaço exterior é muito acolhedor, permitindo aos jovens uma permanência agradável na escola. Têm o hábito no final do dia de colocarem as cadeiras em cima das mesas. Nos corredores ninguém permanece sentado ou deitado no chão. Só excecionalmente, um ou outro aluno chegou atrasado, um ou dois minutos.

Outro aspeto que destacaríamos é o refeitório. Este é partilhado pelos alunos do Básico, que em França se designa de Collège, com entradas e espaços diferenciados. Os professores também aí almoçam, uma grande parte, com um espaço reservado, com máquina de café. A ementa é muito diversificada e as refeições foram saborosas. No refeitório existem letreiros que recordam os comportamentos a ter, que estão estipulados no regulamento interno, nomeadamente a proibição do uso de telemóveis ou outros dispositivos similares, de auscultadores ou auriculares e de adereços que cubram a cabeça (chapéus, bonés ou gorros).

Por último, as salas de aula de História-Geografia. Estas disciplinas têm um conjunto de salas que lhe estão atribuídas, onde os professores dão as suas aulas. Aqui, curiosamente, são os alunos que mudam de sala e não os professores. Aliás os nossos colegas apenas saíam para ir à casa de banho e para ir almoçar, não passando grande tempo na sala de professores. No corredor onde dão aulas, há uma sala, partilhada entre Histoire-Geographie e Français, que eu preferia chamar a gruta do Ali Babá da cultura, porque está recheada de livros e revistas científicas de grande qualidade e utilidade.

A grande mais-valia desta solução é a organização do trabalho e a possibilidade de as salas estarem preparadas para estas aulas e não terem de dividir com as outras disciplinas. Os mapas e os globos estão sempre nas salas, sendo frequentemente usados. A decoração das mesmas diz respeito às temáticas de História e Geografia. Os trabalhos dos alunos podem ser afixados, sem existirem problemas de partilha de espaço.

Depois das 13h não houve aulas de História-Geografia, logo pudemos realizar mais uma visita cultural. Antes, os professores em Erasmus e a equipa da escola que coordena o projeto foi almoçar numa linda esplanada, no centro histórico. Terminado o almoço fizemos um périplo pelas ruas, onde encontramos imensas casas do século XV, chamadas de Les Maisons À Colombages, que têm sido objeto de recuperação pela Câmara Municipal. Terminamos o passeio junto à Torre do Relógio, edificada no início do século XV, no lugar de uma outra entrada da cerca medieval.



No final, fica uma grande satisfação pelas experiência e aprendizagens partilhadas, bem como pela oportunidade de contruirmos uma cidadania europeia com os nossos colegas franceses. À bientôt!



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