Ensinar História

 

O tempo tem feito jus ao ditado popular, «março marçagão, manhãs de inverno, tardes de verão». O firmamento azul voltou a fazer o nosso dia, deixando-nos bem felizes para enfrentar a empreitada que nos esperava: aulas das 8h às 17h35.

Na maioria das aulas observadas usaram-se as velhas metodologias de História, ainda que utilizando recursos multimédia. As aulas dos nossos colegas seguem as práticas mais recorrentes em ensino e aprendizagem de História, a análise documental de textos e iconografia. Transversal aos três, chamemos-lhes «tradicionalistas», foi a preferência de fotografias, ilustrações, cartoons, banda-desenhada, isto é, da imagem como instrumento de aprendizagem. Face às nossas sociedades contemporâneas tão visuais, parece-nos sempre uma estratégia de grande alcance.

Outra prática, bem sincronizada, é o questionamento oral, ligando-se os assuntos estudados a outros já abordados ou com ramificações/similitudes com a atualidade ou sobre a documentação. Os discentes mostram-se quase sempre envolvidos e interessados em responder e os docentes procuram que todos tenham oportunidade de participar. Atendendo que os manuais escolares detêm pouco texto informativo e mais fontes históricas, além de exercícios e fichas metodológicas, os professores vão passando às turmas algumas sínteses. Estas tornam-se essenciais, porque no final do secundário devem saber fazer uma dissertação escrita e uma análise documental, com a duração de 4 horas, para obterem o famoso Bac, abreviatura de baccalauréat. Por isso, nos seus momentos de avaliação realizam esse tipo de exercícios, daí que os alunos nos dissessem que não compensava usar a IA, porque não a poderiam utilizar em contexto de avaliação formal. Igualmente frequente é os discentes serem interpelados a realizar tarefas autónomas de análise documental ou atividades de seleção e organização de informação para exporem aos seus colegas.


Por fim, um apontamento sobre o currículo francês, em que as disciplinas de História e Geografia estão juntas. E no caso do secundário tem duas variantes, uma é a História-Geografia, com um programa, pelo menos na ciência histórica, muito similar ao nosso, organizado numa perspetiva cronológica, que compõe o currículo de uma das áreas do secundário. A outra disciplina é «História-Geografia, Geopolítica e Ciência Política», designada de enseignement de spécialité, que funciona em regime de escolha. No 1.º ano do liceu escolhem três opções de especialização, entre sete ofertas, para completarem as suas disciplinas, e, no 3.º ano, devem selecionar duas, que podem ser as mesmas ou diferentes do 1.º ano. Isto permite-lhes construir um projeto pessoal de aprendizagem, muitas vezes mais abrangente e diverso, em consonância com os seus interesses e planos académicos. Nesta disciplina, face à sua diversidade são abordados temas muito atuais, como a conquista do espaço, a guerra e a paz, a história e a memória, o património cultural e natural, o ambiente e a geopolítica ou o conhecimento, entre outros.


Amanhã findaremos a nossa estada por terras de Saint-Jean-d’Angély, certos de que a nostalgia se apoderará da nossa partida…


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