Salas de aula do futuro?


Hoje, o dia acordou bem solarengo, convidando mais a um passeio pela vila, do que a fecharmo-nos na sala de aula. Porém, noblese oblige… Assistimos a aulas de História-Geografia, de manhã e de tarde, com duas metodologias diversas. Assim, nestas linhas debruço-me, exclusivamente, sobre a que se liga à questão que titula este post.

A professora que observamos utiliza uma metodologia muitas vezes designada de «salas de aulas do futuro», onde as mesas e as cadeiras facilmente se posicionam para criar «ilhas» de trabalho, onde os alunos cooperam entre si e desenvolvem atividades autónomas, mediante um plano de trabalho traçado pela docente.

De salientar que os discentes são do Ensino Secundário, que em França se apelida de Lycée, dividido em três anos, sendo a escolaridade obrigatória até aos 16 anos. No final do ciclo, têm de realizar exames para obterem aprovação. Nesta escola, várias salas estão equipadas com o citado mobiliário escolar, assim como com tablets e computadores do Lycée, que ficam guardados num armário apropriado. Por outro lado, a mediateca possui uma sala de multimédia, com sistemas de gravação de som avançados, o que lhes facilita a gravação das suas vozes em pequenos filmes-documentários.

Este tipo de sala foi pensado para a realização de trabalhos cooperativos, utilizando as novas tecnologias. Uma auscultação e interação com os jovens permitiu-nos aferir que vantagens e desvantagens encontram nesta forma de aprender. A única desvantagem apontada foi a gestão de tempo das atividades. Os aspetos vantajosos foram referidos em muito maior número: a aprendizagem ao seu ritmo; a autonomia; a oportunidade de aprender a recolher informação e a selecioná-la, ou seja, a investigar; incrementa a capacidade de trabalhar em equipa. Também os sondei sobre a IA e consideraram-na útil, mas não para fazer o trabalho deles que é estruturar textos e refletir sobre os assuntos.


Depois das aulas, ainda conseguimos dar uma volta pela vila e descobrir um pouco da sua história e património. Saint-Jean-d’Angély teve na Idade Média uma das mais bonitas abadias do Ocidente Cristão. A sua primitiva construção, provavelmente do século XI, em estilo romano surgiu pelo facto de a vila estar no Caminho de Santiago que vinha de Tours. O crescimento do burgo obrigou a obras que criaram uma igreja gótica, edificada entre os séculos XIII e XV, da qual resta um arcobotante que nos permite imaginar a grandeza desta abadia, antes da sua destruição nas guerras da Religião, no século XVI. A abadia gótica teve dimensões idênticas à Catedral de Notre-Dame de Paris, tendo sido ocupada por monges beneditinos. Em 1568, acabou devastada pelos protestantes e, em 1615, ainda se iniciou uma nova igreja, de que resta a fachada principal, mas problemas financeiros e políticos acabaram por atrasar as obras e pouco se conseguiu fazer.


Amanhã será mais um dia, cheio de novas aprendizagens.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog