Uma aula ao ar livre

 

Neste terceiro dia, participamos na visita de estudo à ilha de Oléron, que fica a pouco mais de uma hora de viagem de Saint-Jean-d’Angely. Como no liceu não há aulas nas tardes de quarta-feira, preferimos aumentar as nossas horas de observação de aulas em outros dias e seguir viagem com o grupo franco-italo-português da mobilidade.

A ilha situa-se ao largo da costa de Charente-Maritime, no Golfo da Biscaia, que aqui também se apelida de Gascogne, com área de 174km2 e mais de 21 mil habitantes. Oléron é a segunda maior ilha da França metropolitana e, segundo a nossa guia Carol, o seu nome deriva do latim Uliaros. Desde 1996 tem uma ponte que a liga ao continente. A ilha é famosa pelas suas ostras, a produção de sal, a pesca e o vinho.

A nossa primeira paragem foi em Boyardville, uma pequena e pacata cidade costeira, que surgiu em 1803, na altura da construção do Fort Boyard. Aquele que ficou célebre devido ao programa televisivo, com provas tipo «jogos sem fronteiras». Nessa localidade fomos a uma exploração de ostras, no «bassin de Marennes-Oléron», onde percebemos como se produzem e o imenso labor que exigem para trazer aos pratos dos convivas essa iguaria refinada. A sua produção exige um número variado de passos e dura cerca de quatro anos. Os antigos pântanos salgados (localizados no leste e sul da ilha) foram convertidos em «claires», termo que designa os tanques de refinação. 

As ostras da baía de Marennes-Oléron adquirem o seu sabor e textura particulares por ação de uma alga microscópica, a navícula azul (Haslea ostrearia), incluindo a marenina, que provoca o seu esverdeamento. Esta característica diferencias de outras, dando-lhe um paladar distinto. A cultura da ostra-plana (Ostrea edulis) foi durante muito tempo a primacial nesta baía, depois a ostra-portuguesa (Crassostrea angulata), mas ambas foram substituídas pela japonesa ostra-gigante (Crassostrea gigas), devido à superexploração e às doenças que dizimaram aquelas espécies.

Na parte da tarde seguimos para sudoeste da ilha, para o porto de La Cotinière. No caminho foram visíveis muitas vinhas, embora já tenham sido mais. Cultivadas na ilha desde o final do século III, a produção foi muito significativa até ao final do século XIX (mais de 4.300 hectares). A chegada da filoxera, infelizmente, dizimou quase todas as vinhas. A ilha foi severamente afetada. Arruinadas, as ricas propriedades nunca recuperaram. Hoje, as vinhas cobrem aproximadamente 800 hectares. 

La Cotinière é o principal porto de pesca do departamento de Charente-Maritime e o oitavo maior de França. É especializado na acedia, um peixe sazonal, endémico no golfo da Biscaia, ainda que não tenha se mantido exclusivamente nesse pescado. 

O porto especializou-se também em peixe de grande qualidade (linguado, robalo, tamboril), bem como em algum marisco (camarões e lagostins) e sardinhas. A pesca da sardinha é uma tradição antiga. Foi uma importante fonte de rendimento no início do século XIX: as sardinhas enlatadas, conhecidas localmente por "cotinardes", nome dos habitantes da localidade, eram exportadas para o continente, sendo reconhecidas como uma das melhores conservas de França, segundo a nossa guia. Esta atividade piscatória, que havia caído em desuso durante algum tempo, está a ser revitalizada. Trabalham mais de 300 pescadores neste porto. Recentemente a sua lota foi alvo de grandes e avultadas obras, comparticipadas pelo departamento, a região e a União Europeia.

Depois de explorarmos este património cultural e natural e compreendermos a sua vitalidade económica seguimos viagem para a escola. Amanhã regressamos as salas de aula tradicionais…novas experiência e partilhas nos aguardam.


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